Fecundação In Vivo

                               

A fecundação é o processo pelo qual o espermatozóide e o ovócito se unem, possibilitando a formação de um ovo (zigoto) e de um embrião. Esta união ocorre nas trompas de Falópio, assim como as primeiras divisões celulares, chegando o embrião ao útero cerca de 5 dias após a fecundação para a respectiva implantação (nidação). Esta capacidade do embrião penetrar no endométrio ocorrerá por volta do 7º dia do desenvolvimento embrionário.

 

Óvicitoa
OVÓCITO ENVOLVIDO POR CÉLULAS FOLICULARES   OVÓCITO: 1º GLÓBULO POLAR (A). ZONA PELÚCIDA (B).   ESPERMATOZÓIDES 

 

Entre muitos outros factores, para que a fecundação e a gravidez aconteçam é necessário que:

  • Em cada mês, um dos ovários desenvolva um folículo (uma “bolinha” de líquido que vai crescendo e que, ao atingir cerca de 17 mm de diâmetro, conterá um ovócito maduro) e ocorra a ovulação (rotura do folículo e passagem do ovócito para a trompa).
  • A produção de espermatozóides pelos testículos seja normal ou próxima dos valores normais.

É interessantíssima a constatação da enorme diferença relativamente à produção de gâmetas entre os dois sexos: para que a capacidade reprodutiva seja normal, para a mulher é suficiente que um dos ovários produza um ovócito maduro por mês, enquanto que para o homem é necessário que os testículos produzam milhões de espermatozóides... por dia.

Entre os vários parâmetros a avaliar no estudo do esperma continuam a ser preponderantes o número, a morfologia e a motilidade dos espermatozóides. Os valores mínimos de referência são: 15 milhões de espermatozóides por ml, 4% de morfologia normal e 25% de motilidade progressiva rápida.

Na altura do nascimento, cada ovário poderá possuir um milhão de folículos primordiais, contendo ovócitos imaturos, mas, a partir da puberdade e até ao fim da vida reprodutiva (menopausa), apenas 400-500 ovócitos atingirão a sua maturidade ovulatória. O homem nasce com células estaminais germinativas nos testículos e começa a produzir espermatozóides a partir da puberdade. Esta produção mantém-se durante toda a vida devido à presença das células estaminais, muito embora com uma tendência para a diminuição da concentração, morfologia normal e motilidade dos espermatozóides a partir da 5ª- 6ª década da vida.

 
     
APARELHO GENITAL FEMININO    APARELHO GENITAL MASCULINO 

 

 

  • A relação sexual aconteça em “período fértil”.
  • As trompas estejam permeáveis à passagem dos espermatozóides e também funcionalmente normais para a captação do ovócito e para “transportarem” o embrião para a cavidade uterina.
  • O ovócito e o espermatozóide sejam estrutural e funcionalmente normais de modo a possibilitar a fecundação e a evolução embrionária (a maioria dos embriões terá anomalias cromossómicas pelo que, em regra, a selecção natural inviabiliza o seu desenvolvimento). 
  • O endométrio esteja receptivo à implantação do embrião.

 

 

esquema
EVOLUÇÃO DO EMBRIÃO AO LONGO DA TROMPA ATÉ À IMPLANTAÇÃO

 

A riqueza e a complexidade dos mecanismos reprodutivos são tais que, mesmo nos casais em que tudo está aparentemente bem, em cada mês, a probabilidade de uma mulher até aos 30 anos alcançar uma gravidez de forma natural ronda os 25%. Esta probabilidade vai diminuindo à medida que a idade da mulher avança, não ultrapassando 10% aos 40 anos e 1% aos 45 anos.

Estes valores médios evidenciam a importância da “idade reprodutiva” da mulher, contrariando a ideia de que a “juventude” que acompanha cada vez mais o avanço da “idade cronológica” também esteja presente com o avançar da “idade reprodutiva”.

No essencial, a “idade reprodutiva” da mulher corresponde à “idade ovocitária”. Isto porque, de forma acentuadamente progressiva (sobretudo a partir dos 38-40 anos), os ovócitos terão anomalias cromossómicas de número (aneuploidias), que, no caso de fecundação, darão origem a embriões anormais. Na grande maioria das situações, por mecanismos de selecção natural, estes embriões anormais sofrem uma paragem de desenvolvimento, que poderá ser imperceptível (por ser muito precoce) ou manifestar-se clinicamente como abortamento espontâneo.

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