Criopreservação de Gâmetas
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Criopreservação de Gâmetas: Preservar hoje para decidir amanhã

A congelação de ovócitos e espermatozóides tem indicações em comum, nomeadamente em casos de doenças oncológicas, antes do início dos tratamentos (quimioterapia, radioterapia ou cirurgia) […]

A congelação de ovócitos e espermatozóides tem indicações em comum, nomeadamente em casos de doenças oncológicas, antes do início dos tratamentos (quimioterapia, radioterapia ou cirurgia) que podem vir a afetar a fertilidade futura. A congelação de espermatozóides também pode ser realizada antes de uma vasectomia e num contexto de tratamentos de fertilização in vitro (por ausência do companheiro ou dificuldade de masturbação para a obtenção dos espermatozóides no dia da colheita dos ovócitos).

Uma realidade crescente é a congelação de ovócitos em mulheres que desejam adiar a maternidade ou que ainda não decidiram o seu futuro reprodutivo, mas têm receio de a decisão ocorrer demasiado tarde.

Apesar da taxa média de sobrevivência dos ovócitos após vitrificação (congelação ultra-rápida) e descongelação poder atingir cerca de 90%, não pode ser esquecido que esta sobrevivência é significativamente influenciada por múltiplos factores, em que se destaca a idade da mulher. Na nossa opinião, nos casos em que não há uma indicação médica propriamente dita, a idade “ideal” para concretizar a congelação de ovócitos será entre os 30-34 anos – em que haverá um “equilíbrio” entre uma idade não demasiado precoce (não podemos esquecer que a estimulação hormonal dos ovários e a colheita dos ovócitos não são isentos de riscos) e a idade a partir da qual a qualidade dos ovócitos começará a diminuir, de tal modo que, não sendo admissível criar ou manter falsas expectativas, não será razoável a criopreservação de ovócitos a partir dos 40 anos.

A propagação cada vez mais galopante da informação não deixa de conter os riscos inerentes às mensagens demagógicas e perigosas, em que os avanços científicos e técnicos podem surgir como panaceias, induzindo uma falsa tranquilidade, podendo contribuir para a mulher adiar perigosamente a sua gravidez. A existência de ovócitos criopreservados não deverá ser um factor decisivo para a mulher adiar um projeto procriativo já existente, pelo risco de não haver gravidez com a fertilização in vitro dos ovócitos congelados e a idade reprodutiva avançada já não permitir obter ovócitos viáveis.

Professor Doutor Alberto Barros
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Prof. Doutor Alberto Barros

Diretor

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