O impacto emocional da infertilidade e como lidar com ele
A infertilidade pode ser considerada uma “crise” no percurso desenvolvimental do casal. O diagnóstico pode trazer sentimentos de revolta, raiva e vergonha/inadequação, traduzindo-se, com alguma […]
A infertilidade pode ser considerada uma “crise” no percurso desenvolvimental do casal. O diagnóstico pode trazer sentimentos de revolta, raiva e vergonha/inadequação, traduzindo-se, com alguma frequência, em sintomatologia ansiosa e depressiva. Sentimentos de culpa, vergonha (vergonha de ser infértil; sentir-se “menos mulher/homem”) e inveja (face a outros casais que estão à espera de bebé ou têm bebés) são vividos em silêncio, com um enorme sentimento de autocrítica.
O processo de gestão emocional da infertilidade é desafiante para a maioria das pessoas. A falta de controlo do processo mas sobretudo do resultado dos tratamentos implica uma gestão de expectativas exigente. Manter a esperança e as expectativas ajustadas à “realidade” é uma tarefa difícil. O impacto físico, emocional mental, financeiro e laboral dos tratamentos é considerável.
Parar, fazer uma pausa ou ponderar não realizar mais tratamentos ou eventualmente ponderar outros caminhos poderá ser um cenário legítimo. Parar poderá ser uma escolha consciente e informada e não apenas “desistir”. É importante que este processo de decisão seja realizado com apoio da equipa multidisciplinar, com orientação clínica séria e rigorosa.
De seguida, encontra algumas estratégias que poderão ser benéficas durante este período:
1. Procure apoio (familiar, amigos ou profissional): o apoio social é um fator protetor perante acontecimentos de vida adversos e desafiantes, enquanto que o isolamento social pode prejudicar a sua saúde mental. Escolha alguém em quem confie para partilhar como se tem sentido e defina com essa pessoa limites (fale abertamente do tipo de apoia que necessita e do que espera da outra pessoa).
2. Auto-cuidado: Cuidar de si, priorizando o bem-estar (em primeiro lugar por si; não só em função da gravidez/sucesso do tratamento). Se sentir que está a cuidar de si, vai sentir que estará mais preparado/a para os desafios que vão surgindo.
3. Atividades que promovam prazer e auto-eficácia: resgatar tarefas e atividades ou projetos que possa ter deixado de fazer, que sejam fonte de prazer e bem-estar vai ajudar a equilibrar os momentos de maior dor e sofrimento.
4. Prática de exercício físico: o benefício do exercício físico moderado é extensamente reconhecido, tanto para a saúde mental como para a fertilidade. Se não pratica exercício físico, pode ser um bom começo pensar em atividades que gosta, que sejam exequíveis e acessíveis (mesmo que com pouca frequência).
5. Auto-compaixão: Seja empático/a, compreensivo/a consigo mesmo. Passar por um processo de infertilidade/tratamentos de fertilidade é exigente. É expectável que fique zangado/a, revoltado/a mas é também importante não se julgar por se sentir desta forma. Está a fazer o melhor que pode – às vezes temos de repetir isto para nós mesmos!
6. Procura equilibrada de informação: a procura de informação pode ser benéfica, até certo ponto. No entanto, quando essa procura é muito frequente, ocupa quase todo o tempo livre, sempre na expectativa de respostas “certas”, pode gerar ansiedade. É muito importante tentar encontrar este equilíbrio. Por vezes, distanciar-se das redes sociais pode ser benéfico… Por outro lado, procurar fontes fidedignas pode ajudar a fazer uma triagem mais eficaz da informação.
Nota: Estas indicações são muito gerais e podem não ser adequadas ou eficazes para todas as pessoas. A consulta de um profissional da área da saúde mental é fundamental para ter um espaço onde possa ser ouvido(a))os), com vista à melhoria do seu bem-estar, tanto com objetivo preventivo como terapêutico, quando necessário.