Mulher a apontar para calendário com marcações do ciclo menstrual.
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Ciclos Menstruais Regulares e Fertilidade: O que é importante saber

A primeira menstruação (menarca) pode ser um sinal disruptivo do que virá a ser a regularidade dos ciclos. Isto é, menarcas-pubarcas precoces, antes dos 9 […]

A primeira menstruação (menarca) pode ser um sinal disruptivo do que virá a ser a regularidade dos ciclos. Isto é, menarcas-pubarcas precoces, antes dos 9 anos de idade, ou tardias, após os 15 anos de idade, podem ser indicadores do que poderá vir a ser o funcionamento ovárico.

 

Se a primeira menstruação se situar entre estas idades (9-15 anos), o primeiro ano de menstruação não deve ser considerado significativo, seja ele regular ou irregular nos ciclos.

 

A partir desse primeiro ano, a regularidade dos ciclos será por princípio um bom indicador de existência ovulatória. Pelo contrário, ciclos curtos (<21-22 dias) ou longos (> 35 dias) ou períodos de vários meses sem menstruação, serão preditivos da possível não existência de ovulações.

 

O aparecimento na jovem de fatores clínicos tais como aumento da pilosidade corporal (pernas, braços, púbis, com enfraquecimento e queda de cabelo), podem indicar a grande probabilidade de estarmos perante SOMP: Síndrome Ovariana Metabólica Polie-endócrina (antigamente designada Síndrome de Ovários Poliquísticos (SOP)).

 

Até à maturidade (transição adolescência tardia-idade adulta), não serão de avaliar ecograficamente os ovários, nem de pedir doseamentos hormonais (nomeadamente AMH) para caracterização da situação, devido aos mesmos ainda não trazerem fiabilidade.

 

Na adolescência pode acrescer outro fator importante: a obesidade. Só por si acrescenta a possibilidade de irregularidade nos ciclos (devido a uma via acessória da produção de estrogénios a partir da gordura corporal), e quando associada ao SOMP é um fator que vem agravar a irregularidade dos ciclos/disovulação ou anovulação. Nestas situações, justifica-se o recurso a um ginecologista de preferência com formação em endocrinologia da reprodução.

 

A existência de uma vida saudável: dieta hipocalórica equilibrada, exercício físico moderado e regular, não tabagismo e possível intervenção terapêutica, podem desde logo vir a ser orientadoras para a proteção futura da saúde e da fertilidade.

 

 

Dr. António Couceiro
Autor

Dr. António Couceiro

Ginecologia/Medicina da Reprodução

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